Wednesday, 1 June 2011

Abandono escolar: será o mal que se apregoa?

A obsessão dos governos socialistas com a diminuição das taxas de abandono escolar, levou-os a criar dois monstruosos desperdícios no sistema educativo português.

Por um lado institui-se um regime de quase “terror” para forçar os professores a passarem os alunos de ano lectivo e por outro criaram-se as novas oportunidades. Apesar de algumas honrosas excepções, estas visam dar administrativamente graus académicos a quem que não tenha frequentado ou concluído o ensino secundário.

Naturalmente que todos concordamos que quando um aluno é obrigado a abandonar a escola por razões económicas estamos perante um mal que tem de ser erradicado.

No entanto, a grande maioria do abandono escolar após o nono ano é voluntário e por duas razões fundamentalmente opostas. Uns alunos abandonam a escola para ir para rua enquanto outros abandonam a escola para ir trabalhar.

Ambos reconhecem que a escola já não lhes acrescenta valor, mas precisam de ser tratados de forma diferente. Os primeiros devem ser repreendidos mas acompanhados no âmbito das políticas de reinserção social, enquanto os segundos devem ser aplaudidos e apoiados através dos programas de formação profissional.

Devemos considerar ainda o grupo dos que se resignam a permanecer no ensino, mas sem qualquer motivação ou empenhamento. A sua permanência prejudica os restantes estudantes por contribuir para uma diminuição do grau de exigência no ensino. Mas prejudica-os também a eles próprios ao atrasar a sua entrada no mercado de trabalho e ao criar-lhe hábitos que irão limitar a sua produtividade para o resto da vida.

Finalmente, em relação aos formandos das novas oportunidades não podemos considerar apenas o custo absurdo da sua suposta formação (cerca de 6200 Euros por formando). Para termos uma ideia do que este valor representa basta pensar que com o dinheiro gasto com uma dúzia desses formandos podíamos formar um médico.

Porém, eles próprios são vítimas da ilusão que basta ter um “canudo” para progredirem na carreira. Ilusão que em muitos casos se transforma em frustração para o resto da vida. Acresce ainda que alguns vão engrossar o número de candidatos ao ensino superior contribuindo também para a deterioração da qualidade deste nível de ensino.

Em conclusão, é preciso repensar o equilíbrio entre o número de anos necessários para a formação inicial (onde se foi longe de mais com a introdução do 12º ano) e a formação ao longo da vida, bem como os objectivos de cada tipo de formação. Esta tarefa tem de ser entregue a gente com sabedoria e ponderação.

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