Tuesday, 14 April 2015

O salário mínimo e o desemprego

Muitos economistas, especialmente entre os de inclinação libertária, colocam uma enfâse excessiva no contributo do salário mínimo para o desemprego, especialmente entre os jovens.

No entanto, uma simples leitura dos dados em dez países da zona euro deixa muitas dúvidas sobre a importância desse impacto.

Como podemos observar na seguinte tabela onde ordenamos os países em função do valor do salário mínimo, houve evoluções muito diferentes.



Entre os países com um salário mínimo elevado, a Irlanda diminui drasticamente o seu valor, enquanto Portugal o subiu significativamente. Entre os países com salário mínimo mais baixo, também a Eslovénia e a Estónia o aumentaram significativamente, enquanto a Grécia e a Espanha o desceram moderadamente.

Entretanto, a respetiva evolução em termos de desemprego apresentada na tabela abaixo mostra-nos o seguinte:


Entre os países que começaram o milénio com salário mínimo elevado e baixo desemprego (Irlanda e Portugal) o desemprego triplicou, enquanto nos países com salário mínimo baixo a Estónia começou com um desemprego muito elevado mas reduziu-o a quase metade mas já a Eslovénia começou com um desemprego moderado mas aumentou-o em cerca de 50%. Entretanto a Espanha e a Grécia que começaram com desemprego muito elevado ainda o aumentaram para mais do dobro.

É óbvio que a evolução dispare de países como Portugal e Irlanda ou da Estónia e Eslovénia questiona qualquer relação forte entre a evolução do salário mínimo e do desemprego.

E, em relação aos países com programas de ajustamento, também é evidente que a evolução pós-2010, foi fundamentalmente determinada pelas consequências da crise de 2008-2009, ampliadas pelos respetivos programas de ajustamento no caso da Grécia e de Portugal.

Note-se no entanto que apenas na Grécia ocorreu uma redução significativa do salário mínimo durante o programa de ajustamento, precisamente o país onde se atingiram níveis de desemprego mais elevados.

Em conclusão, se quisermos identificar as principais causas do desemprego é melhor procurar outras causas que não o salário mínimo.

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