Thursday, 3 March 2011

Porque é que a “arquitectura de regime” é geralmente feia?


As obras arquitectónicas de regime em Portugal ilustram uma tendência generalizada para a falta de beleza. As obras dos regimes pré e pós-25 de Abril têm aliás a particularidade de usarem a mesma estrutura básica – o cubo. O uso e abuso do “caixote” pelos dois regimes estão bem patenteados na foto ao lado das instalações do Instituto Superior Técnico em Lisboa.


O Salazarismo usava cubos de paredes sólidas como símbolo da firmeza, poder e simplismo. O Socialismo usa cubos com paredes finas ou de vidro como símbolo de ligeireza, languidez e pressa. Na verdade ambos receiam a complexidade de formas mais abstractas e variadas usadas por pessoas mais sensíveis, subtis e criativas.

Salvo raras excepções, as obras de ambos os regimes são feias e repetitivas.

A explicação para esta pobreza arquitectónica reside na própria natureza desses regimes: a) abominam a diversidade; b) enaltecem a réplica do chefe; c) privilegiam o compadrio entre os amigos da mesma escola; d) têm medo do estrangeiro, mas veneram os seus mentores externos; e) ostracizam a iniciativa privada; e d) criam falsos heróis e líderes para perpetuar a estética do regime.

Como o Estado é responsável pela construção da maior parte dos edifícios de relevo arquitectónico é indispensável debater a melhor forma como o Estado deve seleccionar os seus arquitectos. Por exemplo, porque não fazer primeiro um concurso público da ideia/desenho prévio e depois entregar o projecto de arquitectura a quem apresentar a melhor proposta para executar o desenho escolhido? Porque não impor um limite ao número de projectos a realizar pelo mesmo arquitecto/escola artística? Existem muitas outras formas de promover a criatividade e a diversidade artística em Portugal. Aceitam-se sugestões.

Finalmente, e não menos importante, deixem os privados escolher os estilos que quiserem, sejam narcisistas, emigrantes, estrangeirados, ou eruditos. Com diversidade a qualidade acabará por se impor e a perenidade das obras será julgada pelas gerações futuras. 

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