Monday, 23 March 2015

Mariana Mortágua vs. Maria João Marques

As televisões descobriram finalmente uma nova geração de jovens políticas talentosas. Ainda bem! Como a Mariana é uma jovem de esquerda e a Maria João de direita é interessante analisar o que as distingue dos outros jovens políticos e entre si.

Trata-se de duas jovens bloggers que se destacam por serem entusiastas, inteligentes, cultas, bonitas, femininas e simpáticas.

O seu empenhamento, perspicácia e saber não podiam contrastar mais com a perceção geral dos jovens políticos saídos das jotas - geralmente alunos medíocres de universidades igualmente medíocres, produto do nepotismo e intriga partidária, preletores dos lugares-comuns típicos do carreirismo nos jobs for the boys.

É também curioso contrastar a sua feminidade com a de outras jovens políticas. Por exemplo, o contraste da sua beleza natural com o pretensiosismo da beleza de Joana Amaral Dias. Ou, o contraste da sua feminidade, com a dureza de Catarina Martins a repetir a cassete do fanatismo revolucionário. E, ainda mais, o contraste da sua simpatia com o cinismo das not so young comentadoras do programa Barca do Inferno.

A Mariana e a Maria João são por isso duas jovens que podem e devem inspirar a juventude do nosso país. No entanto, o que é que as distingue politicamente?

De forma simplista podemos dizer que ambas se inspiram nos dois ideais do século XIX, a Maria João no liberalismo clássico e a Mariana no socialismo utópico. Por isso, podemos antecipar que a Maria João terá mais razão. De facto, a história e a teoria já nos mostraram abundantemente que o racionalismo da primeira criou liberdade e riqueza enquanto o idealismo da segunda gerou sempre tirania e miséria.

No entanto, isso não significa que no imediato a Mariana não seja mais atrativa para muitos jovens. Em primeiro lugar, porque a nossa comunicação social está excessivamente dominada pela esquerda, que não hesitará em transformá-la numa superstar se isso lhe der dividendos. Em segundo lugar, porque os jovens são naturalmente mais idealistas e impacientes e como tal mais atraídos pelos mitos revolucionários. Mas, e sobretudo, porque a substituição de um estado patriarcal todo-poderoso por uma mão invisível omnisciente despiu o liberalismo radical da empatia indispensável ao ser humano e em especial aos jovens.

Mas não precisava de ser assim. O radicalismo liberal é apenas uma doença infantil dos economistas que tendem a identificar os modelos baseados no mítico homo economicus com a realidade. Os modelos são apenas abstrações necessárias à análise dedutiva ou indutiva mas não podem incluir toda a complexidade humana, tanto mais que apenas agora começamos a saber um pouco sobre o cérebro humano. Por isso, o liberalismo tem de encontrar a sua própria humanidade e simpatia se quiser preencher os sonhos e idealismo da juventude.

Na verdade a renovação do espirito liberal talvez não seja suficiente numa fase de amadurecimento do capitalismo. As novas gerações não podem continuar prisioneiras das ideologias que resultaram das necessidades do século XIX. Têm de criar um idealismo para o século XXII, seja na economia, no papel do espiritualismo e convívio entre religiões, na bioética e na ciência ou em qualquer domínio.

Por isso não se trata apenas de deixar correr o tempo de acordo com o principio de Churchill de que “If you're not a liberal at twenty you have no heart, if you're not a conservative at forty you have no brain”, e desejar pacientemente que a Mariana chegue aos quarenta.

Para aqueles que, como eu, já iniciaram o crepúsculo, é particularmente gratificante ver o despontar de uma nova geração capaz de responder a esse desafio. Por isso, faço votos que a Maria João e a Mariana não se deixem corromper pela inevitável adulação dos media e que mantenham a sua frescura, irreverência, simplicidade e empatia para que o seu exemplo atraia cada vez mais jovens.

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