Thursday, 5 May 2011

A Conferência da Troika sobre o resgate financeiro de Portugal

Estive a assistir à conferência da Troika (FMI, BCE e CE) sobre o resgate de Portugal.

Numa apreciação, em termos gerais, podemos dizer que o programa confirma os receios que tínhamos expresso no nosso post de 8 de Abril. O programa chegou tarde de mais, é pouco exigente, e não enfrenta os principais cancros da economia Portuguesa.

Basicamente, repete a receita da Grécia de uma forma mais suave em termos de custo do dinheiro e da condicionalidade quanto às medidas e ao prazo para a consolidação orçamental, embora menos generoso no montante do empréstimo. Em resumo, é questionável que Portugal possa voltar aos mercados numa situação de normalidade antes de 2013 e que consiga evitar uma reestruturação da sua divida soberana.

Logo que a carta de intenções esteja assinada e publicada no site do FMI, faremos uma análise específica da cada uma das suas principais componentes: consolidação orçamental, reforma fiscal, reestruturação bancária e medidas estruturais.

Embora eu seja defensor da transparência na actividade das organizações internacionais, essa deve ser feita pelos meios adequados e no local próprio (i.e. a divulgação dos documentos no site dessas mesmas organizações). Este tipo de conferências de imprensa deixam um sabor amargo ao lembrar-nos que Portugal parece estar a transformar-se numa “república das bananas” que já perdeu a sua soberania nacional.

1 comment:

  1. Será interessante analisar o processo de privatizações devido a falta de fundos por parte banca, a que acresce as novas exigências T1. - acresce provável a falta do instrumento CGD -
    1)Resultará daquela situação que os grupos portugueses ficarão fora deste processo?! Ou 2)estaremos perante "novas engenharias financeiras" com o objectivo de garantir a presença no capital, daquelas empresas a privatizar, de mãos Portuguesas.
    Refira-se que tais empresas devem ser apetecíveis, dado que, poderão ser vendidas "a baixo preço".

    3)Poderá a entrada de novos accionistas estrangeiros "perturbar" os interesses dos grupos portugueses (por sua vez interesses políticos perversos)?

    Gostaria de conhecer a sua opinião,
    Obrigado.

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