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Saturday, 27 September 2025
A Tentação Radical: Porque os Extremistas Seduzem e os Moderados Aborrecem
(Nota tradução não revista do ChatGPT).
Resumo
Os radicais são fascinantes porque são absurdos. À esquerda ou à direita, transformam a inveja em justiça, o ressentimento em destino e a vingança em teatro político. São hipócritas, românticos, bajuladores e oportunistas — e muito mais divertidos de observar do que os moderados, que mantêm as luzes acesas e o pão nas prateleiras, mas que não conseguem competir em termos de paixão. Este ensaio explora porque é que os extremos seduzem, em que diferem e porque é que os reformadores aborrecidos continuam a ser a única esperança da civilização, mesmo que nunca venham a ganhar a guerra do marketing.
Introdução
Lucy Kellaway disse um dia que gostava de escrever sobre negócios porque havia “um fornecimento inesgotável de homens pomposos de quem gozar.” Se virasse a sua caneta para a política, encontraria a mesma fonte inesgotável nas fileiras dos radicais — aqueles que nos prometem salvação, à esquerda ou à direita, desde que entreguemos a paciência e o sentido de proporção.
O problema dos radicais não é apenas estarem muitas vezes errados, mas serem tão diabolicamente interessantes. Os moderados estão certos mais vezes, mas certos da mesma forma que um dentista tem razão sobre o fio dental: certo, útil e mortalmente aborrecido.
É por isso que os jovens, sobretudo os mais inquietos, caem nos braços dos radicais. Não é por terem lido Marx ou Spengler com atenção. Não é por compreenderem multiplicadores fiscais ou hegemonia cultural. É porque os radicais fazem-nos sentir qualquer coisa. Transformam o tédio em pertença, a inveja em retidão moral, o ressentimento em superioridade. São o perfil do Tinder que grita “tudo ou nada”, enquanto a moderação murmura “logo se vê”.
Radicais de Esquerda: Abraçar os Oprimidos Sentados no Café
A posição do radical de esquerda resume-se a uma frase que ouvi num plenário estudantil: “Temos de destruir tudo e construir um mundo mais justo.” Ninguém perguntou o que é que se comeria enquanto o mundo estava a ser destruído. Ninguém perguntou quem mandaria na construção, ou que qualificações teria para além da indignação.
O lado positivo dos radicais de esquerda é irresistível. Defendem a igualdade, a solidariedade, a dignidade. Lutam contra a injustiça e insistem que os pobres também são pessoas. Prometem liberdade em relação aos patrões, senhorios e banqueiros.
O lado negativo é igualmente irresistível: são dogmáticos, ingénuos e caóticos. Fetichizam a revolução, mas não conseguem gerir uma padaria sem racionamentos. Falam contra o privilégio enquanto sondam apartamentos em Lisboa ou Berlim. Afirmam rejeitar a tradição, mas são curiosamente tradicionais nas querelas sectárias. O próprio Lenine notou a “doença infantil” da esquerda, e não melhorou muito desde então.
Mas estes defeitos não são acidentes, são características. Ser radical de esquerda é viver num estado permanente de indignação — e indignar-se é excitante. Dá ao jovem a superioridade moral sem o incómodo de pagar a hipoteca.
Radicais de Direita: Abraçar a Nação de Uniforme
Os radicais de direita estão menos interessados em destruir do que em polir. Para eles, o problema não é a riqueza em si, mas a riqueza que não ostenta a bandeirinha certa. Bajulam os fortes: o líder, o exército, a pátria. Falam de ordem, tradição, lealdade. Prometem restaurar uma idade de ouro que nunca existiu fora dos postais a sépia.
O lado positivo também seduz: honra, coragem, valores familiares, unidade, orgulho. Quem não gostaria de um pouco disto? O lado negativo, previsível: intolerância, agressividade, autoritarismo, paranoia. Procuram bodes expiatórios, punem, sonham com a pureza.
Os jovens que os seguem não são todos fetichistas da bota cardada. Muitos estão simplesmente com medo. Medo de ver as famílias a descer na escala social. Medo da globalização. Medo da mudança. Para eles, os uniformes e os rituais são reconfortantes, como pertencer a um escutismo demasiado sério.
O Cocktail Inveja–Ressentimento–Vingança
O que une as duas tribos é a química emocional: inveja dos que têm mais, ressentimento por estarem de fora, sede de vingança. A diferença é apenas de direção. Os radicais de esquerda apontam a fúria para cima, contra os ricos; os radicais de direita apontam-na para fora, contra estrangeiros e “traidores.” Ambos fazem os jovens sentirem-se heróis na sua própria peça moral.
O moderado não oferece nada disto. Diz: “Vamos examinar as provas. Vamos deliberar. Vamos comprometer-nos.” É como oferecer água morna numa festa onde todos servem flaming sambucas.
E é por isso que o extremismo terá sempre o melhor departamento de marketing.
Riqueza, Poder e Outros Fetiches
Os radicais definem-se pela sua relação com a riqueza e o poder. Para a esquerda, são a mesma coisa — duas faces da mesma moeda suja. A riqueza é poder e, portanto, deve ser apreendida, redistribuída ou eliminada. O banqueiro e o senhorio não são apenas vizinhos irritantes, são a própria encarnação da opressão.
Para a direita, riqueza e poder não são a mesma coisa. O poder pertence à nação, à cultura, ao líder. A riqueza é aceitável desde que faça continência. O empresário pode ser rico, mas a menos que financie paradas patrióticas ou construa tanques, é suspeito. Foi por isso que os fascistas permitiram que os industriais continuassem ricos, desde que beijassem as botas certas e mantivessem o aço a fluir.
Os moderados, criaturas aborrecidas como são, vêem riqueza e poder como por vezes relacionados, por vezes não, e sempre sujeitos a chatos controlos institucionais. Bocejo.
Família, Casamento e a Mesa de Cabeceira
Se a riqueza é onde os radicais discutem macroeconomia, a família é onde discutem a mesa de cabeceira.
Os radicais de esquerda vêem a família como um microestado feudal: patriarcal, opressivo, burguês. Imaginam comunas em que as crianças são criadas coletivamente e o casamento é voluntário, igualitário e de preferência reinventado de década em década. Falam pomposamente em “libertação das estruturas tradicionais” enquanto telefonam secretamente às mães para pedir conselhos sobre a roupa.
Os radicais de direita, pelo contrário, tratam a família como sagrada. A família é a fortaleza da tradição, a correia de transmissão de valores, a escola da lealdade. O casamento é o cimento, de preferência heterossexual, permanente e abençoado pela igreja ou pelo Estado. Falam com olhos marejados em “valores familiares” mesmo quando os líderes são apanhados com amantes ou pior.
Os moderados, outra vez, estragam a festa. Dizem que as pessoas devem casar-se ou não como entenderem, que as famílias assumem diferentes formas, que a lei deve adaptar-se. Certo, sim, mas nada inspirador.
A Grande Bajulação
Todo o radical tem de bajular alguém. Os radicais de esquerda bajulam os oprimidos. Elogiam trabalhadores, camponeses, minorias — mesmo quando estes grupos estão ausentes do jantar em questão. Também bajulam a teoria — os avôs intelectuais cujos nomes aparecem em cada cartaz de protesto. Marx, Lenine, Gramsci, Foucault. Um radical de esquerda devidamente treinado cita-os a todos, muitas vezes sem passar da página três.
Os radicais de direita bajulam a força. Elogiam o líder, a pátria, o uniforme, a bandeira. O seu discurso é uma longa ovação de pé à autoridade. Competem em concursos de pureza: quem é o mais patriota, o mais leal, o mais impiedoso para com os inimigos.
Ambos são exaustivos na sua bajulação, embora em direções diferentes.
Sexo e a Vantagem Radical
Há também a questão do sexo, raramente mencionada nas análises educadas da política, mas que explica muito mais do que os gráficos do PIB.
O radical de esquerda, com os seus slogans sobre libertação, costuma sair-se bem. Comunas e acampamentos de protesto são terreno fértil não só para a revolução, mas também para o romance. A libertação sexual sempre fez parte do marketing: se rejeitamos o casamento, podemos experimentar livremente. “Amor livre” é uma bandeira que atraiu mais jovens do que “redistribuição do capital” alguma vez conseguirá.
O radical de direita, embora envolto em castidade e valores familiares, também não é celibatário. Os uniformes marciais, a disciplina e as demonstrações de força são inegavelmente sexys para alguns. Lealdade e domínio têm a sua própria carga erótica. Enquanto os radicais de esquerda perseguem o desejo pregando a libertação, os radicais de direita perseguem-no encenando a autoridade.
Moderados? Bem, também fazem sexo, mas ninguém quer ler sobre isso.
Revolução vs Restauração: A Questão da Máquina do Tempo
Tudo isto resume-se a uma última divisão: quer avançar ou recuar?
Os radicais de esquerda querem revolução — avançar para o desconhecido, onde as velhas estruturas são destruídas e algo novo, mais justo e reluzente é construído no seu lugar. É uma máquina do tempo que só anda para a frente, mesmo que o combustível seja sangue e escombros.
Os radicais de direita querem restauração. Querem purgar a decadência e regressar a uma idade de ouro que talvez nunca tenha existido, mas que fica bem em cartazes. A sua máquina do tempo anda para trás, movida a nostalgia e ressentimento.
Os moderados, entretanto, preferem ficar exatamente onde estamos, com ligeiras melhorias. Querem que a máquina do tempo avance em incrementos tão pequenos que mal se notam. Sensato, seguro — e catastrófica e irremediavelmente pouco sexy.
Porque os Extremos Vencem a Moderação
Os extremos são apelativos pela mesma razão que o açúcar vende mais do que os espinafres. São simples, doces e de gratificação imediata. A moderação é brócolos: virtuosa, nutritiva, mas sem brilho no Instagram.
Os extremos oferecem clareza. A esquerda diz: ricos maus, pobres bons. A direita diz: estrangeiros maus, cidadãos leais bons. Ambos transformam a complexidade confusa da vida num livro infantil. A moderação, em contraste, insiste na nuance: às vezes os ricos são úteis, às vezes os estrangeiros contribuem, às vezes ambos estão errados. Está certo, mas é esmagadoramente aborrecido.
Os extremos oferecem paixão. Os radicais ardem em fogo justo, gritam, marcham, denunciam. Os moderados arrastam-se a falar de “processos de consulta” e “envolvimento de stakeholders.” Se tem 19 anos, um soa a destino, o outro a workshop de RH.
Os extremos oferecem pertença. O grupo radical é uma família substituta, com rituais, uniformes e uma intoxicante dinâmica nós-contra-eles. A moderação oferece julgamento individual e pluralismo, que são coisas boas mas parecem solitárias quando se é jovem e se anseia por pertença.
Os extremos também oferecem pureza. Os moderados aceitam compromisso; os radicais rejeitam-no. Para a esquerda, o compromisso é traição aos oprimidos. Para a direita, é traição à nação. Ambos são excitantes porque libertam da tarefa suja da negociação.
A moderação sabe que o compromisso é necessário, mas “compromisso necessário” nunca foi bom slogan.
O Cocktail Inveja, Ressentimento e Vingança (Revisitado)
Se retirarmos os slogans, o que alimenta o radicalismo não é filosofia mas psicologia. Inveja dos que parecem ter mais. Ressentimento por ser ignorado ou substituído. Vingança contra os culpados da injustiça ou do declínio.
A esquerda dirige este cocktail para cima: contra os ricos, a classe dominante, os senhorios. A direita dirige-o para fora: contra estrangeiros, minorias, elites cosmopolitas. Os moderados não o dirigem para lado nenhum, e ficam a beber em silêncio.
Esta carga emocional é o que torna o radicalismo tão magnético para a juventude. Transforma a inveja mesquinha em papel heróico. Já não tem inveja do BMW do vizinho; é um revolucionário a lutar contra a exploração capitalista. Já não guarda ressentimento dos imigrantes que concorrem ao mesmo emprego; é um defensor da nação. Seja qual for o caso, as suas mágoas são elevadas a destino.
A moderação não oferece alquimia alguma. Apenas diz para acalmar, trabalhar e aceitar a imperfeição. Pode ser bom conselho, mas não inspira cânticos de rua.
Educação: A Única Esperança (Ainda Assim Remota)
Se há forma de tornar a moderação mais apelativa, é através da educação. Não a seca que afoga alunos em notas de rodapé, mas a que transforma a moderação numa história de coragem.
A educação deve ensinar a complexidade sem paralisar. Treinar mentes jovens a apreciar a ambiguidade, a reconhecer que a verdade surge em gradações e não em absolutos. Deve apresentar heróis da moderação — Gandhi com a sua marcha do sal, Mandela com as reconciliações — como pessoas que alcançaram mudança sem cair no extremismo.
Deve também dar aos alunos um sentido de pertença no pluralismo. Ser moderado deve soar a integrar-se numa equipa nobre, não a ficar de fora da festa. Rituais cívicos, projetos comunitários e vitórias visíveis da reforma são essenciais.
Mais importante, a educação deve redefinir compromisso não como cobardia, mas como heroísmo. Deve mostrar que dizer “não” aos extremos é mais corajoso do que gritar “sim” a tudo. Que paciência é mais difícil do que raiva. Que contenção não é aborrecida, mas a única coisa que impede o colapso.
É uma tarefa ingrata. As escolas e universidades concorrem com movimentos radicais que são mais sexy, mais barulhentos e infinitamente melhores no TikTok.
Hipocrisia: O Direito de Nascimento Radical
Todo o radical reclama pureza, mas a hipocrisia é o seu direito de nascença.
Os radicais de esquerda pregam igualdade enquanto os seus líderes vivem em dachas ou se sentam em cafés de Paris a discursar sobre o proletariado. Condenam o privilégio enquanto cultivam o seu — cartões de partido, bolsas de estudo, cargos académicos. Os mais famosos radicais de esquerda do século XX — Lenine, Mao, Castro — viveram vidas bem pouco igualitárias depois de tomarem o poder.
Os radicais de direita pregam valores familiares enquanto os líderes acumulam amantes, contas offshore e fortunas ilícitas. Exigem lealdade enquanto traem as suas próprias leis. Alegam defender a tradição, mas as tradições que mais cultivam são as da corrupção e da brutalidade.
Os moderados também são hipócritas, claro — mas de forma aborrecida. A sua hipocrisia é não reciclar devidamente enquanto pregam sustentabilidade, ou inflacionar despesas enquanto pedem disciplina orçamental. Ninguém escreve romances sobre isto.
A hipocrisia não é um defeito do radicalismo, mas uma característica. É a distância entre a retórica de pureza e a realidade do desejo humano. Sem essa distância não haveria drama, e sem drama não haveria radicalismo.
Verdade: Questão de Marketing
Os radicais de esquerda gostam de chamar “científicas” às suas doutrinas. O marxismo afirmava ser uma ciência da história, como se a luta de classes fosse física newtoniana. A verdade era definida como tudo o que avançasse a revolução. Factos incómodos eram rebatizados como falsa consciência ou propaganda burguesa.
Os radicais de direita tratam a verdade como mito. Insistem em verdades nacionais, culturais, do líder. Se a história não encaixa, inventam-na. Se os factos contradizem, ignoram-nos. A verdade é o que mantém a tribo unida.
Os moderados vêm a verdade como empírica e provisória: os factos importam, mas nunca são finais. É a verdade enfadonha das estatísticas, dos tribunais, dos estudos revistos por pares. Correta, mas impossível de vender. Experimente pôr “intervalos de confiança” num cartaz.
Justiça: Redistributiva vs. Retributiva
Para a esquerda, justiça significa redistribuição — não apenas de dinheiro, mas de dignidade e poder. Mede-se por quanto a desigualdade é reduzida, por quanto a opressão é derrubada.
Para a direita, justiça significa retribuição — lealdade recompensada, traição punida, inimigos esmagados. Mede-se não pela igualdade, mas pela pureza e pela ordem.
Os moderados vêem justiça como devido processo: julgamentos, regras, direitos. Moralmente decente, mas dramaticamente inerte. Ver um julgamento justo nunca é tão entusiasmante como ver um expurgo ou uma revolução, mesmo que o julgamento faça mais bem.
Guerra: O Teatro Radical
Os radicais prosperam com a guerra, mesmo quando afirmam odiá-la. Para a esquerda, a guerra é luta de classes, libertação anti-imperialista, o povo a erguer-se contra tiranos. A violência é lamentável, mas necessária, como arrancar um dente.
Para a direita, a guerra é glória em si mesma. É defesa da pátria, da fé, da cultura. É prova de coragem, unidade, virilidade. Uniformes, desfiles, sacrifícios — todos rituais intoxicantes.
Os moderados, entretanto, enviam diplomatas. Sensato, mas nada sexy.
Dualidade: Nós e Eles
A visão radical do mundo é sempre dual. Para a esquerda, é opressores contra oprimidos, capital contra trabalho, reacionários contrarrevolucionários. Para a direita, é de dentro contra de fora, leal contra desleal, puro contra corrupto.
Os moderados recusam a dualidade. Dizem que a vida é um espectro, as pessoas são complexas, as situações são mistas. Correto, mas insatisfatório. Os humanos anseiam por histórias de bem e mal; os moderados oferecem diapositivos de PowerPoint.
Porque a Moderação Importa (Mesmo Perdendo o Concurso de Beleza)
Depois disto tudo, pode perguntar-se porque é que alguém continua moderado. A resposta é simples: sobrevivência. Os extremos tornam a vida inviável. Acabam em racionamentos, expurgos, censura ou guerra. Os moderados mantêm os comboios a andar, as luzes acesas e os tribunais abertos.
A moderação não é glamorosa, mas é o que permite comprar pão sem fazer fila durante horas ou criticar o governo sem desaparecer à meia-noite. Não é excitante, mas é a linha ténue entre civilização e colapso.
Epílogo: Estranhos Companheiros no Século XXI
Se a divisão entre esquerda e direita alguma vez pareceu arrumadinha no papel, o presente tratou de a rasgar com gosto. Os movimentos de hoje misturam-se como adolescentes numa loja de roupa em segunda mão. Os comunistas de ontem abraçam o capitalismo de compadrio, os conservadores de ontem flertam com o populismo, e os socialistas de ontem recuperam teorias da conspiração diretamente de panfletos nazis.
Ex-Comunistas Capitalistas de Compadrio
Os herdeiros de Marx no Leste europeu agora fazem negócios com oligarcas e conduzem carros alemães. A China, que ainda se chama comunista, dirige uma economia capitalista implacável, com o Partido a arrecadar os lucros. A riqueza, outrora inimiga, tornou-se o lubrificante do poder. O igualitarismo revolucionário virou-se do avesso — os mesmos slogans, mas carteiras novas.
Populismo à MAGA
À direita, o MAGA é uma curiosa mistura. Ataca as elites globais (uma nota roubada à esquerda) enquanto se cobre de folclore nacionalista (pura direita). A sua promessa não é revolução, mas restauração: um regresso a fábricas, fronteiras e tempos mais simples que provavelmente nunca existiram. Os comícios, os cânticos, os bodes expiatórios: tudo teatro conhecido, apenas com bonés vermelhos em vez de camisas castanhas.
Antissemitismo e Nazi-Islamismo na Esquerda
Mais bizarro ainda é o desvio de partes da esquerda radical para o antissemitismo. Outrora domínio da extrema-direita, reaparece agora sob a bandeira do “anti-imperialismo.” Neste guião distorcido, os judeus tornam-se os novos opressores capitalistas e Israel o vilão imperial. Isto produziu alianças impensáveis com islamistas radicais cujos valores sobre mulheres, família e autoridade são tudo o que a esquerda jurou combater. Mas o ódio cria camas partilhadas onde a filosofia nunca criaria.
O Desfocar da Divisão
A lição é óbvia: os radicais não estão no negócio da política, mas da paixão. As etiquetas mudam, os inimigos baralham-se, mas a receita emocional é a mesma: inveja, ressentimento, vingança e a promessa intoxicante de pureza.
Os moderados, claro, ficam a apanhar os cacos e a remendar instituições com fita-cola. É trabalho ingrato e sem glória. Mas mantém as luzes acesas e o pão nas prateleiras.
E esse, no fim, é o verdadeiro presente dos radicais: sem a sua absurdidade, talvez nunca déssemos conta de como a monotonia pode ser milagrosa.
Tuesday, 29 November 2011
Mário Soares e o Problema do Socialismo
Mário Soares subscreveu mais um manifesto intitulado “Novo Rumo”, onde reitera a sua conhecida aversão à chamada 3ª via do socialismo e da social-democracia a quem acusa de terem “sido colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal”.
O Socialismo é uma relíquia do século XIX, que tentou encontrar uma alternativa à emergência do sistema económico capitalista que então substituía com sucesso um regime feudal baseado na servidão. Porém todas as alternativas socialistas que foram tentadas – socialismo utópico, comunismo, nacional-socialismo e auto-gestão ao estilo Jugoslavo - redundaram em estrondosos fracassos geradores de miséria e guerra.
Por isso, a maioria dos socialistas teve de se conformar à aceitação do capitalismo, endossando políticas mais ou menos sociais-democratas que visavam gerir um capitalismo regulado e com maiores preocupações sociais.
Porém gerir um sistema em que se não acredita nunca pode dar bom resultado. Quando os Socialistas não “metem o socialismo na gaveta”, como Mário Soares fez durante a sua breve passagem pelo Governo, ficam sem saber o que fazer, o que os coloca à mercê de interesses obscuros, ou então enveredam por experiências regulamentadoras ou despesistas que atrofiam a iniciativa empresarial e levam ao descalabro financeiro.
Por isso, salvo raras excepções, as experiências governativas socialistas acabam sempre por aumentar as desigualdades, a corrupção, a injustiça, o desemprego, as despesas públicas, o endividamento, a pobreza e a inflação.
Em termos históricos, não deixa de ser irónico que das duas principais ideologias de oposição ao feudalismo (o Liberalismo que apoiava o capitalismo emergente e o Socialismo que se lhe opunha e tentava criar uma alternativa), tenha sido o Liberalismo o primeiro a perder influência política logo que a supremacia do capitalismo se afirmou no inicio de século XX.
É igualmente irónico que a 3ª via do socialismo tenha dado um seguimento tão entusiasta às experiências neo-conservadoras de Reagan e Thatcher que, a partir das indústrias reguladas, criaram o emergente capitalismo de gestão. Na verdade, o capitalismo de gestão é hoje a principal ameaça ao capitalismo. Porém, tal como o corporativismo promovido pelo nacional-socialismo falhou, também o capitalismo de gestão irá soçobrar perante a superioridade do capitalismo de mercado.
Soares tem razão em afirmar o falhanço da 3ª via. No entanto, coloca-se na posição de “Velho do Restelo” tentando chamar à razão a velha guarda socialista. Porém, enquanto o capitalismo de mercado continuar a ser a máquina mais eficaz a gerar riqueza, não vale a pena tentar novas versões de um ideal socialista falhado. Da “velha guarda socialista” dificilmente podemos esperar novos paradigmas.
O Socialismo é uma relíquia do século XIX, que tentou encontrar uma alternativa à emergência do sistema económico capitalista que então substituía com sucesso um regime feudal baseado na servidão. Porém todas as alternativas socialistas que foram tentadas – socialismo utópico, comunismo, nacional-socialismo e auto-gestão ao estilo Jugoslavo - redundaram em estrondosos fracassos geradores de miséria e guerra.
Por isso, a maioria dos socialistas teve de se conformar à aceitação do capitalismo, endossando políticas mais ou menos sociais-democratas que visavam gerir um capitalismo regulado e com maiores preocupações sociais.
Porém gerir um sistema em que se não acredita nunca pode dar bom resultado. Quando os Socialistas não “metem o socialismo na gaveta”, como Mário Soares fez durante a sua breve passagem pelo Governo, ficam sem saber o que fazer, o que os coloca à mercê de interesses obscuros, ou então enveredam por experiências regulamentadoras ou despesistas que atrofiam a iniciativa empresarial e levam ao descalabro financeiro.
Por isso, salvo raras excepções, as experiências governativas socialistas acabam sempre por aumentar as desigualdades, a corrupção, a injustiça, o desemprego, as despesas públicas, o endividamento, a pobreza e a inflação.
Em termos históricos, não deixa de ser irónico que das duas principais ideologias de oposição ao feudalismo (o Liberalismo que apoiava o capitalismo emergente e o Socialismo que se lhe opunha e tentava criar uma alternativa), tenha sido o Liberalismo o primeiro a perder influência política logo que a supremacia do capitalismo se afirmou no inicio de século XX.
É igualmente irónico que a 3ª via do socialismo tenha dado um seguimento tão entusiasta às experiências neo-conservadoras de Reagan e Thatcher que, a partir das indústrias reguladas, criaram o emergente capitalismo de gestão. Na verdade, o capitalismo de gestão é hoje a principal ameaça ao capitalismo. Porém, tal como o corporativismo promovido pelo nacional-socialismo falhou, também o capitalismo de gestão irá soçobrar perante a superioridade do capitalismo de mercado.
Soares tem razão em afirmar o falhanço da 3ª via. No entanto, coloca-se na posição de “Velho do Restelo” tentando chamar à razão a velha guarda socialista. Porém, enquanto o capitalismo de mercado continuar a ser a máquina mais eficaz a gerar riqueza, não vale a pena tentar novas versões de um ideal socialista falhado. Da “velha guarda socialista” dificilmente podemos esperar novos paradigmas.
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Monday, 20 June 2011
O Mito dos Independentes na Política
Supostamente o novo governo tem 1/3 de ministros independentes. Para uns isso será um bom sinal mas para outros é um erro. Para avaliar as vantagens e desvantagens dos ditos independentes é preciso primeiro esclarecer o que é um independente.
Existe uma grande confusão sobre o que é um independente. Para uns trata-se de uma pessoa imparcial relativamente aos partidos, para alguns é uma pessoa apolítica, para outros é um vira-casacas (que apoia o partido que estiver no poder) e para alguns é mesmo uma pessoa anti-política.
Estas quatro definições estão todas erradas. Formalmente, um independente é uma pessoa que não é filiada em nenhum partido. Ponto final. Na verdade, dado o baixo nível de filiação partidária em Portugal (inferior à média dos clubes de futebol), podemos dizer que a maioria dos Portugueses é independente. Por isso a classificação de independente é pouco esclarecedora para servir de base a uma avaliação do mérito.
O nosso posicionamento em relação aos partidos políticos é distinto do posicionamento em relação à política. Uma das grandes vantagens da democracia representativa é que a maioria das pessoas não precisa de se interessar pela política, mas mesmo assim pode fazer valer a sua opinião nos momentos eleitorais através do seu voto pessoal e intransmissível.
Em relação aos que se interessam pela política eles têm de ter alguma forma de relacionamento com os partidos políticos. Podem fazê-lo de várias formas indo desde o militante activo, ao militante que apenas paga as quotas, ao cooperante influente ou ocasional, simpatizante, votante regular, e votante ocasional até aos inimigos, adversários, antipatizantes ou indiferentes relativamente a um partido político. Por isso não faz sentido que as pessoas confundam independência com imparcialidade ou indiferença.
No meu caso pessoal, enquanto adepto do liberalismo constitucional, acabo por ser um votante ocasional no PSD embora não me reveja nesse partido por ser predominantemente social-democrata. Obviamente não sou filiado mas isso não me dá o estatuto de independente no sentido de imparcial ou indiferente relativamente aos seus resultados eleitorais. Por analogia, apesar de não me interessar por futebol, simpatizo mais com o Porto do que com o Benfica. Por isso quando estão os dois a jogar eu torço pelo Porto. Obviamente que não sou indiferente aos resultados do jogo. Isto é, não sou independente no sentido de imparcial.
De igual modo, dizer que o Dr. Catorga ou o Dr. Silva Lopes são independentes respectivamente do PSD e do PS não quer dizer que eles sejam indiferentes a esses partidos. O primeiro é um cooperante influente do PSD e o segundo é um cooperante ocasional do PS. O facto de ambos não serem filiados nos respectivos partidos não quer dizer que sejam imparciais em relação às políticas dos seus respectivos partidos ou desinteressados em relação à actividade política dos mesmos.
Então porque é que essas pessoas não aderem aos respectivos partidos? Moralmente existem boas e más razões para recusar a filiação partidária, mesmo quando não se recusa igualmente a detenção de cargos políticos eleitos ou não.
Existem diversas razões legítimas para os apoiantes regulares dos partidos não se envolverem na actividade partidária. Entre elas destacamos o desejo de não terem de se submeter à disciplina partidária, de não gostarem de se envolver nas lutas pelo poder dentro dos partidos, não terem tempo para dedicar ao partido ou de não estarem suficientemente motivados para a actividade política.
Mas existem igualmente razões moralmente reprováveis de oportunismo político. Por exemplo, não se filiar para deixar a porta aberta a convites de outros partidos para cargos políticos. Ou, no caso dos autarcas, para conseguirem o apoio dos militantes dos outros partidos para a sua reeleição.
O oportunismo político de tais pessoas pode ser desculpável nalguns casos mas noutros é claramente condenável. Por exemplo, acontece muitas vezes ao nível nacional que os detentores de cargos políticos não eleitos quando antevêem que existe a probabilidade de uma mudança política começam a ser críticos das políticas correntes e a demonstrar alguma compreensão pelas políticas da oposição de modo a que possam ser retidos ou repescados para novas funções quando houver mudança de governo. Este comportamento é particularmente visível entre os adeptos do chamado “centrão” e entre pessoas ligadas por laços familiares, amizades ou comunhão de interesses.
Existem ainda um grupo de ditos independentes que esconde o seu oportunismo político adoptando uma atitude de sobranceria que os leva afirmar-se como apolíticos ou como estando acima dos partidos e a quem os partidos têm obrigação de recorrer. Quando não se trata somente da normal sublimação da fraqueza através da arrogância, esta forma de oportunismo é das mais perniciosas.
Em suma, as razões ilegítimas e imorais para se recorrer ao estatuto de independente são muito mais numerosas do que as razões válidas. Por isso, não vemos qualquer razão para se invocar o estatuto de independente como algo de positivo para a vida política. Os partidos devem antes procurar alargar a área de recrutamento para cargos políticos aos seus simpatizantes que não sejam militantes (mesmo correndo o risco de atrair os chamados simpatizantes de ocasião) mas não devem promover o estatuto de independente pois o que se possa ganhar em competência perde-se em oportunismo.
Quando as pessoas ocupam cargos políticos devem claramente afirmar o seu alinhamento político. Mais ainda, se ocuparem com regularidade cargos políticos devem mesmo traduzir as suas simpatias políticas através da filiação partidária. Tal transparência é boa para os próprios e para os partidos.
Só com transparência uma democracia é verdadeiramente representativa. De outro modo, num país como o nosso onde existe um número excessivo de cargos políticos não eleitos, corre-se o risco de confundir a democracia representativa com as formas perversas de democracia latino-americana no estilo Mexicano ou Venezuelano.
Existe uma grande confusão sobre o que é um independente. Para uns trata-se de uma pessoa imparcial relativamente aos partidos, para alguns é uma pessoa apolítica, para outros é um vira-casacas (que apoia o partido que estiver no poder) e para alguns é mesmo uma pessoa anti-política.
Estas quatro definições estão todas erradas. Formalmente, um independente é uma pessoa que não é filiada em nenhum partido. Ponto final. Na verdade, dado o baixo nível de filiação partidária em Portugal (inferior à média dos clubes de futebol), podemos dizer que a maioria dos Portugueses é independente. Por isso a classificação de independente é pouco esclarecedora para servir de base a uma avaliação do mérito.
O nosso posicionamento em relação aos partidos políticos é distinto do posicionamento em relação à política. Uma das grandes vantagens da democracia representativa é que a maioria das pessoas não precisa de se interessar pela política, mas mesmo assim pode fazer valer a sua opinião nos momentos eleitorais através do seu voto pessoal e intransmissível.
Em relação aos que se interessam pela política eles têm de ter alguma forma de relacionamento com os partidos políticos. Podem fazê-lo de várias formas indo desde o militante activo, ao militante que apenas paga as quotas, ao cooperante influente ou ocasional, simpatizante, votante regular, e votante ocasional até aos inimigos, adversários, antipatizantes ou indiferentes relativamente a um partido político. Por isso não faz sentido que as pessoas confundam independência com imparcialidade ou indiferença.
No meu caso pessoal, enquanto adepto do liberalismo constitucional, acabo por ser um votante ocasional no PSD embora não me reveja nesse partido por ser predominantemente social-democrata. Obviamente não sou filiado mas isso não me dá o estatuto de independente no sentido de imparcial ou indiferente relativamente aos seus resultados eleitorais. Por analogia, apesar de não me interessar por futebol, simpatizo mais com o Porto do que com o Benfica. Por isso quando estão os dois a jogar eu torço pelo Porto. Obviamente que não sou indiferente aos resultados do jogo. Isto é, não sou independente no sentido de imparcial.
De igual modo, dizer que o Dr. Catorga ou o Dr. Silva Lopes são independentes respectivamente do PSD e do PS não quer dizer que eles sejam indiferentes a esses partidos. O primeiro é um cooperante influente do PSD e o segundo é um cooperante ocasional do PS. O facto de ambos não serem filiados nos respectivos partidos não quer dizer que sejam imparciais em relação às políticas dos seus respectivos partidos ou desinteressados em relação à actividade política dos mesmos.
Então porque é que essas pessoas não aderem aos respectivos partidos? Moralmente existem boas e más razões para recusar a filiação partidária, mesmo quando não se recusa igualmente a detenção de cargos políticos eleitos ou não.
Existem diversas razões legítimas para os apoiantes regulares dos partidos não se envolverem na actividade partidária. Entre elas destacamos o desejo de não terem de se submeter à disciplina partidária, de não gostarem de se envolver nas lutas pelo poder dentro dos partidos, não terem tempo para dedicar ao partido ou de não estarem suficientemente motivados para a actividade política.
Mas existem igualmente razões moralmente reprováveis de oportunismo político. Por exemplo, não se filiar para deixar a porta aberta a convites de outros partidos para cargos políticos. Ou, no caso dos autarcas, para conseguirem o apoio dos militantes dos outros partidos para a sua reeleição.
O oportunismo político de tais pessoas pode ser desculpável nalguns casos mas noutros é claramente condenável. Por exemplo, acontece muitas vezes ao nível nacional que os detentores de cargos políticos não eleitos quando antevêem que existe a probabilidade de uma mudança política começam a ser críticos das políticas correntes e a demonstrar alguma compreensão pelas políticas da oposição de modo a que possam ser retidos ou repescados para novas funções quando houver mudança de governo. Este comportamento é particularmente visível entre os adeptos do chamado “centrão” e entre pessoas ligadas por laços familiares, amizades ou comunhão de interesses.
Existem ainda um grupo de ditos independentes que esconde o seu oportunismo político adoptando uma atitude de sobranceria que os leva afirmar-se como apolíticos ou como estando acima dos partidos e a quem os partidos têm obrigação de recorrer. Quando não se trata somente da normal sublimação da fraqueza através da arrogância, esta forma de oportunismo é das mais perniciosas.
Em suma, as razões ilegítimas e imorais para se recorrer ao estatuto de independente são muito mais numerosas do que as razões válidas. Por isso, não vemos qualquer razão para se invocar o estatuto de independente como algo de positivo para a vida política. Os partidos devem antes procurar alargar a área de recrutamento para cargos políticos aos seus simpatizantes que não sejam militantes (mesmo correndo o risco de atrair os chamados simpatizantes de ocasião) mas não devem promover o estatuto de independente pois o que se possa ganhar em competência perde-se em oportunismo.
Quando as pessoas ocupam cargos políticos devem claramente afirmar o seu alinhamento político. Mais ainda, se ocuparem com regularidade cargos políticos devem mesmo traduzir as suas simpatias políticas através da filiação partidária. Tal transparência é boa para os próprios e para os partidos.
Só com transparência uma democracia é verdadeiramente representativa. De outro modo, num país como o nosso onde existe um número excessivo de cargos políticos não eleitos, corre-se o risco de confundir a democracia representativa com as formas perversas de democracia latino-americana no estilo Mexicano ou Venezuelano.
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Saturday, 21 May 2011
O problema da direita Portuguesa é ter complexos de esquerda
Durante o período revolucionário do PREC era normal que os partidos de direita usassem algumas das palavras de ordem da esquerda. Mas, 36 anos depois do 25 de Abril, ainda terem complexos de esquerda é uma verdadeira vergonha.
Alguns exemplos: O PPD/PSD em Portugal apenas usa a sigla PSD – partido social-democrata – que em qualquer parte do mundo é uma sigla de esquerda. Porém, no Parlamento Europeu, após uma breve passagem pelo partido liberal, transferiu-se para o Partido Popular Europeu – maioritariamente democrata-cristão – ideologia que o PSD renega em Portugal. O caso do CDS ainda é mais paradigmático. Não só viu os seus principais fundadores e dirigentes transferirem-se para a esquerda (Freitas do Amaral e Basílio Horta para o PS e Lucas Pires para o PSD), como adoptou uma variante democrata-cristão – personalismo humanista – que ninguém sabe verdadeiramente o que é. Além disso afirma-se como anti-liberal e pro-corporativo na defesa de algumas corporações (agricultores, ex-combatentes e forças de segurança) cujos interesses hoje nem sempre são legítimos.
A consequência mais nefasta desta atitude de direita envergonhada foi ter permitido à esquerda usar o velho truque de repetir tantas vezes duas mentiras até que a população acabasse por aceitá-las como verdades indiscutíveis – o mito de que a esquerda se preocupa mais com as desigualdade e com os mais desfavorecidos e a patranha de que o liberalismo (ou neo-liberalismo como a esquerda diz) é um papão que visa a exploração dos trabalhadores pelos patrões.
Porém, é inquestionável que em todo o lado, salvo raras excepções, a direita promove mais a justiça social e o bem-estar dos trabalhadores. Não precisamos de ir à Coreia do Norte, China ou Cuba para constatar que os regimes comunistas não só empobrecem toda a população como aumentam as desigualdades sociais. De igual modo, entre os países da OCDE, é nos países socialistas do sul da Europa (Portugal, Espanha, etc.) que as desigualdades medidas pelo coeficiente de Gini são mais elevadas como se pode facilmente constatar nesta página da OCDE.
Quanto aos trabalhadores, qual é o país com mais desemprego? A Espanha socialista, com mais de 20% de desempregados. E quais são os países com menos desemprego? Países liberais como a Suíça e o Luxemburgo onde a taxa de desemprego é inferior a 4.5%. Quanto à segurança de emprego e condições de trabalho perguntem aos nossos emigrantes “vítimas” do liberalismo Suíço e Luxemburguês como comparam os seus actuais patrões com os seus antigos patrões no Portugal socialista.
Em síntese, a direita Portuguesa deixou-se aprisionar pelas mentiras da esquerda, que embora reaccionária, se auto-proclamou progressiva e reformista, deixando a direita prisioneira do conservadorismo e com medo de se afirmar ideologicamente como garante da liberdade, da mudança e do progresso. O primeiro passo para a direita se libertar é confrontar ideologicamente a esquerda.
Alguns exemplos: O PPD/PSD em Portugal apenas usa a sigla PSD – partido social-democrata – que em qualquer parte do mundo é uma sigla de esquerda. Porém, no Parlamento Europeu, após uma breve passagem pelo partido liberal, transferiu-se para o Partido Popular Europeu – maioritariamente democrata-cristão – ideologia que o PSD renega em Portugal. O caso do CDS ainda é mais paradigmático. Não só viu os seus principais fundadores e dirigentes transferirem-se para a esquerda (Freitas do Amaral e Basílio Horta para o PS e Lucas Pires para o PSD), como adoptou uma variante democrata-cristão – personalismo humanista – que ninguém sabe verdadeiramente o que é. Além disso afirma-se como anti-liberal e pro-corporativo na defesa de algumas corporações (agricultores, ex-combatentes e forças de segurança) cujos interesses hoje nem sempre são legítimos.
A consequência mais nefasta desta atitude de direita envergonhada foi ter permitido à esquerda usar o velho truque de repetir tantas vezes duas mentiras até que a população acabasse por aceitá-las como verdades indiscutíveis – o mito de que a esquerda se preocupa mais com as desigualdade e com os mais desfavorecidos e a patranha de que o liberalismo (ou neo-liberalismo como a esquerda diz) é um papão que visa a exploração dos trabalhadores pelos patrões.
Porém, é inquestionável que em todo o lado, salvo raras excepções, a direita promove mais a justiça social e o bem-estar dos trabalhadores. Não precisamos de ir à Coreia do Norte, China ou Cuba para constatar que os regimes comunistas não só empobrecem toda a população como aumentam as desigualdades sociais. De igual modo, entre os países da OCDE, é nos países socialistas do sul da Europa (Portugal, Espanha, etc.) que as desigualdades medidas pelo coeficiente de Gini são mais elevadas como se pode facilmente constatar nesta página da OCDE.
Quanto aos trabalhadores, qual é o país com mais desemprego? A Espanha socialista, com mais de 20% de desempregados. E quais são os países com menos desemprego? Países liberais como a Suíça e o Luxemburgo onde a taxa de desemprego é inferior a 4.5%. Quanto à segurança de emprego e condições de trabalho perguntem aos nossos emigrantes “vítimas” do liberalismo Suíço e Luxemburguês como comparam os seus actuais patrões com os seus antigos patrões no Portugal socialista.
Em síntese, a direita Portuguesa deixou-se aprisionar pelas mentiras da esquerda, que embora reaccionária, se auto-proclamou progressiva e reformista, deixando a direita prisioneira do conservadorismo e com medo de se afirmar ideologicamente como garante da liberdade, da mudança e do progresso. O primeiro passo para a direita se libertar é confrontar ideologicamente a esquerda.
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Friday, 6 May 2011
Ex-MRPPs em Portugal: um “case study” muito interessante
No final dos anos 60 proliferaram no meio universitário inúmeros partidos esquerdistas a maioria deles de inspiração Maoista. Após o 25 de Abril a maioria caiu no esquecimento, porque a liberdade permitiu aos jovens perceberem quão absurdas eram as teses Marxistas-Leninistas. Eu próprio pertenci a um desses partidos de cujo nome já nem me lembro. Um desses partidos mais combativos era o MRPP.
O que é mais interessante no caso do MRPP não é o facto de continuar a existir (embora hoje seja apenas um partido de promoção pessoal de um conhecido advogado Lisboeta) ou de o actual Presidente da Comissão Europeia ter sido um dos seus militantes. Tal como a maioria dos outros partidos o MRPP era constituído por apenas algumas dezenas de militantes que após o 25 de Abril abandonaram a política ou entraram para os partidos parlamentares entretanto criados.
O que é impressionante no caso do MRPP é a quantidade desproporcionada de ex-militantes que hoje desempenham altos cargos nos partidos, na política, na diplomacia e na magistratura. Por exemplo, para além do Dr Durão Barroso, também o actual Secretário de Estado do Orçamento e a Procuradora Geral Adjunta da República foram destacados dirigentes do MRPP.
Em termos de “case study” será interessante estudar se isso foi apenas fruto do acaso ou se teve algo a ver com os promotores do MRPP. O MRPP, tal como a maioria dos outros partidos Maoistas na Europa foram promovidos e financiados pela China. Nalguns casos (como aconteceu na Holanda) os serviços secretos ocidentais aproveitaram mesmo para se infiltrar no movimento Maoista criando eles próprios partidos Maoistas pagos por Pequim. Entre nós o MRPP foi também frequentemente acusado pelo PCP de estar ao serviço da CIA. Que o MRPP tenha sido infiltrado e manipulado pelos serviços secretos Chineses, Russos ou Americanos é provável e normal e não merece grande estudo.
O que merece ser analisado é se depois do 25 de Abril essas agências de espionagem tiverem algum papel na colocação de tantos militantes do MRPP em posições tão relevantes na sociedade Portuguesa.
Passados mais de 35 anos esse estudo pode e deve começar a ser feito por historiadores, politólogos, sociólogos e outros investigadores. Todos teremos a ganhar com um estudo isento e multidisciplinar deste verdadeiro fenómeno na história recente de Portugal.
O que é mais interessante no caso do MRPP não é o facto de continuar a existir (embora hoje seja apenas um partido de promoção pessoal de um conhecido advogado Lisboeta) ou de o actual Presidente da Comissão Europeia ter sido um dos seus militantes. Tal como a maioria dos outros partidos o MRPP era constituído por apenas algumas dezenas de militantes que após o 25 de Abril abandonaram a política ou entraram para os partidos parlamentares entretanto criados.
O que é impressionante no caso do MRPP é a quantidade desproporcionada de ex-militantes que hoje desempenham altos cargos nos partidos, na política, na diplomacia e na magistratura. Por exemplo, para além do Dr Durão Barroso, também o actual Secretário de Estado do Orçamento e a Procuradora Geral Adjunta da República foram destacados dirigentes do MRPP.
Em termos de “case study” será interessante estudar se isso foi apenas fruto do acaso ou se teve algo a ver com os promotores do MRPP. O MRPP, tal como a maioria dos outros partidos Maoistas na Europa foram promovidos e financiados pela China. Nalguns casos (como aconteceu na Holanda) os serviços secretos ocidentais aproveitaram mesmo para se infiltrar no movimento Maoista criando eles próprios partidos Maoistas pagos por Pequim. Entre nós o MRPP foi também frequentemente acusado pelo PCP de estar ao serviço da CIA. Que o MRPP tenha sido infiltrado e manipulado pelos serviços secretos Chineses, Russos ou Americanos é provável e normal e não merece grande estudo.
O que merece ser analisado é se depois do 25 de Abril essas agências de espionagem tiverem algum papel na colocação de tantos militantes do MRPP em posições tão relevantes na sociedade Portuguesa.
Passados mais de 35 anos esse estudo pode e deve começar a ser feito por historiadores, politólogos, sociólogos e outros investigadores. Todos teremos a ganhar com um estudo isento e multidisciplinar deste verdadeiro fenómeno na história recente de Portugal.
Friday, 29 April 2011
Não precisamos de um novo Salazar mas precisamos das lições de Salazar
A maioria das pessoas desconhece que, 20 anos antes de existir o FMI, Salazar implementou em Portugal um programa de ajustamento externo dos mais bem sucedidos na história mundial. A bancarrota a que nos conduzira a I República era semelhante, ou ainda mais grave, do que a bancarrota Socialista em que nos encontramos hoje. Mais ainda, nessa época na havia instituições de ajuda internacional.
Como é que isso foi possível? Graças à filosofia básica de Salazar de que “no pain no gain” e de que as pessoas honestas honram sempre os seus compromissos por mais que isso custe. Estas regras foram explicitadas de forma brilhante nestes objectivos que definiu no seu discurso de tomada de posse como ministro das finanças em 1928: “Esse método de trabalho reduziu-se aos quatro pontos seguintes:
a) que cada Ministério se compromete a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;
b) que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;
c) que o Ministério das Finanças pode opor o seu «veto» a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e ás despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;
d) que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.
Estes princípios rígidos, que vão orientar o trabalho comum, mostram a vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida financeira e com ela a vida económica nacional.”
Para termos uma ideia do sucesso de Salazar, basta ter presente que em dez anos ele reduziu a divida pública externa para menos de metade do valor que tinha quando tomou posse como ministro das finanças, e em 1950 tinha-a praticamente eliminado. Numa perspectiva mais longa os números da divida pública externa são estes: em 1890 a divida pública externa tinha atingido os 105% do PIB, tendo sido reduzida até 43% em 1914 mas subsequentemente aumentada durante a I república até 1926 para 51%. Salazar reduziu este endividamento para 23% em 1938 e para 2% em 1950. Porém, em 2010, apesar da ajuda massiva internacional que recebemos da União Europeia, o nosso endividamento público externo já voltou a atingir mais de 68% do PIB.
Não menos significativo é o facto da diminuição da divida ter sido feita sem recurso ao crescimento desenfreado dos impostos. Hoje estes valores até nos parecem irreais, mas em 1928-29 a receita fiscal (excluindo a segurança social) representava apenas 7% do PIB e em 1939 estava novamente nos 7% do PIB. Quando Salazar deixou de exercer funções em 1968 esta percentagem tinha apenas subido para 9%. No início do PREC, em 1974, este valor ainda estava nos 11% tendo atingido os 15% no seu final em 1984. Porém, no inicio do actual regime socialista em 1995 o seu valor tinha já ultrapassado os 21%, valor em torno do qual ainda hoje prevalece.
Também no domínio financeiro e monetário as suas reformas tiveram resultados excepcionais. Basta lembrar que o nível de preços tinha quintuplicado entre 1918 e 1924, devido a uma inflação média anual de cerca de 30%. No mesmo período o escudo tinha desvalorizado cerca de 60% ao ano. Porém, a reforma monetária de Salazar em 1932, feita inicialmente feita através da reintrodução do sistema padrão-ouro e subsequentemente através da ligação do escudo à Libra esterlina, permitiu-lhe reduzir no período 1932-1938 o crescimento médio da massa monetária (M2) para 5.53% e reduzir a inflação para 0.6% ao ano, ao mesmo tempo que a economia crescia a uma taxa real anual média de 2.5%.
Este blog não é o local apropriado para analisar mais detalhadamente estes resultados. Mas para os leitores interessados sugerimos os trabalhos do historiador Nuno Valério, em particular os seus artigos sobre: A divida externa de Portugal 1890-1950, A reforma fiscal da ditadura militar e A moeda em Portugal 1913-1947.
Resta-nos agora confrontar a questão de saber se Salazar poderia ter conseguido esses resultados sem a ditadura militar que o apoiou. No contexto de descalabro político em que terminou a I república tal talvez não fosse possível. Porém hoje tal é possível. Basta pensar que se o autoritarismos de José Sócrates tem sido suficiente para impor a loucura dos gastos públicos em projectos ruinosos como o TGV, as energias eólicas e as parcerias público privadas essa mesma determinação poderia ser utilizada para levar em frente as reformas que o país precisa. Porém, não podemos esperar de um rapaz que chegou a Primeiro-ministro após uma carreira de colador de cartazes e secretário distrital no aparelho partidário do Engenheiro Guterres que tenha a craveira moral e intelectual para fazer essas reformas. Citando Salazar: “E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem.”
Como é que isso foi possível? Graças à filosofia básica de Salazar de que “no pain no gain” e de que as pessoas honestas honram sempre os seus compromissos por mais que isso custe. Estas regras foram explicitadas de forma brilhante nestes objectivos que definiu no seu discurso de tomada de posse como ministro das finanças em 1928: “Esse método de trabalho reduziu-se aos quatro pontos seguintes:
a) que cada Ministério se compromete a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;
b) que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;
c) que o Ministério das Finanças pode opor o seu «veto» a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e ás despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;
d) que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.
Estes princípios rígidos, que vão orientar o trabalho comum, mostram a vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida financeira e com ela a vida económica nacional.”
Para termos uma ideia do sucesso de Salazar, basta ter presente que em dez anos ele reduziu a divida pública externa para menos de metade do valor que tinha quando tomou posse como ministro das finanças, e em 1950 tinha-a praticamente eliminado. Numa perspectiva mais longa os números da divida pública externa são estes: em 1890 a divida pública externa tinha atingido os 105% do PIB, tendo sido reduzida até 43% em 1914 mas subsequentemente aumentada durante a I república até 1926 para 51%. Salazar reduziu este endividamento para 23% em 1938 e para 2% em 1950. Porém, em 2010, apesar da ajuda massiva internacional que recebemos da União Europeia, o nosso endividamento público externo já voltou a atingir mais de 68% do PIB.
Não menos significativo é o facto da diminuição da divida ter sido feita sem recurso ao crescimento desenfreado dos impostos. Hoje estes valores até nos parecem irreais, mas em 1928-29 a receita fiscal (excluindo a segurança social) representava apenas 7% do PIB e em 1939 estava novamente nos 7% do PIB. Quando Salazar deixou de exercer funções em 1968 esta percentagem tinha apenas subido para 9%. No início do PREC, em 1974, este valor ainda estava nos 11% tendo atingido os 15% no seu final em 1984. Porém, no inicio do actual regime socialista em 1995 o seu valor tinha já ultrapassado os 21%, valor em torno do qual ainda hoje prevalece.
Também no domínio financeiro e monetário as suas reformas tiveram resultados excepcionais. Basta lembrar que o nível de preços tinha quintuplicado entre 1918 e 1924, devido a uma inflação média anual de cerca de 30%. No mesmo período o escudo tinha desvalorizado cerca de 60% ao ano. Porém, a reforma monetária de Salazar em 1932, feita inicialmente feita através da reintrodução do sistema padrão-ouro e subsequentemente através da ligação do escudo à Libra esterlina, permitiu-lhe reduzir no período 1932-1938 o crescimento médio da massa monetária (M2) para 5.53% e reduzir a inflação para 0.6% ao ano, ao mesmo tempo que a economia crescia a uma taxa real anual média de 2.5%.
Este blog não é o local apropriado para analisar mais detalhadamente estes resultados. Mas para os leitores interessados sugerimos os trabalhos do historiador Nuno Valério, em particular os seus artigos sobre: A divida externa de Portugal 1890-1950, A reforma fiscal da ditadura militar e A moeda em Portugal 1913-1947.
Resta-nos agora confrontar a questão de saber se Salazar poderia ter conseguido esses resultados sem a ditadura militar que o apoiou. No contexto de descalabro político em que terminou a I república tal talvez não fosse possível. Porém hoje tal é possível. Basta pensar que se o autoritarismos de José Sócrates tem sido suficiente para impor a loucura dos gastos públicos em projectos ruinosos como o TGV, as energias eólicas e as parcerias público privadas essa mesma determinação poderia ser utilizada para levar em frente as reformas que o país precisa. Porém, não podemos esperar de um rapaz que chegou a Primeiro-ministro após uma carreira de colador de cartazes e secretário distrital no aparelho partidário do Engenheiro Guterres que tenha a craveira moral e intelectual para fazer essas reformas. Citando Salazar: “E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem.”
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